Produções

«Privatize-se tudo, privatize-se o mar e o céu, privatize-se a água e o ar, privatize-se a justiça e a lei, privatize-se a nuvem que passa, privatize-se o sonho» E se algum ministro não tivesse percebido que o desafio de José Saramago era só uma provocação? E se já não tivessemos nada a perder? E se perdessemos o medo? Esse ministro existe. Aceitou uma derradeira entrevista, com o propósito declarado de responder a tudo, sem saber ainda que terá que responder por tudo. Mas não faz mal, Homem Morto não Chora.



Comédia/Drama - 70 min. - Encenação de Mafalda Santos - Interpretação de André Levy e André Albuquerque - Direcção Técnica de João Barreiros - Original de António Santos

Introdução

Homem Morto Não Chora é o segundo trabalho do grupo de teatro Não Matem o Mensageiro que, em 2014, levou a mais de 5000 pessoas a comédia Marx na Baixa.


Nervoso como uma fera enjaulada, o ministro demissionário espera o jornalista, seu antigo aluno. Será a sua última entrevista, a derradeira oportunidade para se justificar perante o país que o viu nascer. Mas entre a culpa e a redenção levantam-se obstáculos formidáveis: um jornalista imprevisível, a sombra do verdadeiro poder e a luta de um povo inteiro. Rapidamente a entrevista deixa de o ser, exaltam-se os ânimos, o entrevistador passa a entrevistado, trocam-se acusações e um terrível segredo ameaça ser revelado

“Homem Morto não Chora” é o primeiro original da equipa que levou Marx na Baixa a mais de 5000 espectadores em mais de 20 cidades e também ao Brasil. Com encenação de Mafalda Santos (À espera de Gorete, Marx na Baixa, Anfitrião) e actuações de André Levy (Marx na Baixa, I.B.S.E.N., After Darwin) e André Albuquerque (A Mãe, Zarabadim, O Luto Vai Bem com Electra), Homem Morto não Chora é o original mais antecipado do teatro político português. Comédia de humor ácido como o ar democraticamente rarefeito que Portugal respira, as actuações de “Homem Morto não Chora” destilam a tensão aguda entre duas personagens que, malgrado a ansiedade de se reencontrarem na humanidade comum, não podem habitar o mesmo espaço ético e olham-se, incomunicados, de classes irreconciliáveis.


“Homem morto não chora” é uma peça de teatro sobre a corrupção sem a demagogia, um espectáculo político único, porque os políticos não são todos iguais, mas é também um elogio à coragem e à dignidade da verdade, cujo mérito é levar-nos dos bastidores da corrupção passiva para a linha da frente da resistência activa. Num momento em que o descrédito dos governos e das instituições atinge a embriaguez do opróbrio, “Homem Morto não Chora” é um urgente ensaio sobre a nossa lucidez colectiva, que vem soprar actualidade nos palcos e esperança na plateia.

Pelo caminho, fica uma inquietante discussão sobre o estado de coisas e as coisas do Estado, que enquanto as máscaras vão caindo e os telefones tocam, nos pergunta se a corrupção é intrínseca à política ou se a culpa é do capitalismo; se vale a pena lutar ou se, como dizia Unamuno, somos um povo suicida. E afinal de contas, vale a pena defender a esperança? Obviamente que sim, responde "Homem Morto não Chora". E que tempos são estes, já Brecht perguntava, em que é necessário defender o óbvio? Porque em Portugal o único incorruptível é o povo português, é para ele este espectáculo surpreendente.

Aos palcos portugueses chega esta peça ousada e arrebatadora, que promete revolucionar o público e pular a cínica fronteira onde acaba a política e começa a arte. É por isso que “Homem Morto não Chora” não nos deixa indiferentes, porque os seus propósitos não se esgotam no palco nem o seu efeito se extingue quando cai o pano. O poeta Paul Valèry uma vez escreveu que uma obra de arte nunca se acaba, abandona-se. E “Homem Morto não Chora” não acaba aqui.

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